Resumo
Do grande
biógrafo de Carmen Miranda,Garrincha e Nelson Rodrigues:Ruy Castro revela o
lado humano,crítico e mordaz de Tom Jobim,o homem que mudou a história damúsica
brasileira.
99 crónicas
cheias de música, informação e histórias de bastidores.
Tom Jobim, o
homem que compôs tratados musicais como «Garota de Ipanema» ou «Águas de
Março», mudou a história da música brasileira com a bossa nova e as suas
canções imortais.
Mas isso os
leitores provavelmente já sabem.
O que Ruy
Castro mostra agora no livro O Ouvidor do Brasil é um Tom mais inesperado e
desconhecido, ecologista, «piador», discreto, que olhava sempre para o Brasil,
até da janela do seu apartamento em Nova Iorque.
Estas crónicas
de Ruy Castro, que o conheceu e entrevistou muitas vezes, escritas ao longo do
tempo, formam um perfil biográfico fragmentado de um dos maiores artistas do
Brasil e do mundo, oferecendo diferentes e surpreendentes ângulos em cada
texto.
Com o seu
estilo inconfundível, o grande biógrafo partilha ainda a sua quota parte de
factos inéditos, histórias de bastidores e um panorama aberto para a cultura de
um país e para as grandes figuras da cena musical nos anos 1950 e 1960.
Em 99 crónicas cheias de música, informação e factos inéditos, que formam um perfil biográfico surpreendente, Ruy Castro, o grande biógrafo, revela o lado humano, crítico e mordaz de Tom Jobim, compositor da «Garota de Ipanema» e homem que mudou a história da música brasileira. (o destaque é nosso).
* *
Mas sobre o Tom Jobim «ecologista» palavras escritas por Anabela Mota Ribeiro - aqui:
«Ecologia. “Tom foi pioneiro na
preocupação ecológica. Uma vez um americano disse que ele era ecologista. Tom
nunca tinha escutado essa palavra. Foi ver o significado e percebeu que não
tinha que ver com eco [risos], com som, mas com a casa, com o habitat do
Homem”.
“Olha
um pássaro, ai, tá cantando”, diz Tom, entre parêntesis, entre frases, para a
câmara de Ana Jobim. “Olha as narinas conspícuas do urubu. Ele sente o cheiro.
Cheira venenos. Voa do Alasca a patagónia, via Brasil. Urubu Jereba”. “Toda a
minha obra é inspirada na mata atlântica”. Tinha paixão por Guimarães Rosa.
Comungavam ambientes, personagens, ambientes fantasiosos.
E
com ar rufia, mascando uma folha verde: “Só os matreiros, descendentes de
índios, como eu, podem comer as plantas selvagens. Porque elas são venenosas”.
Tom,
pertença do mundo. Amante de um Rio luxuriante. Preocupado com o Brasil e o
futuro que gerações vindouras vão habitar. O mar, a natureza, o lugar, sempre
estiveram lá. “Eu era um peixe. Caía no Arpoador e ia a nado até Copacabana e
voltava”.
E
anos depois, nesse pedaço de terra, compunha músicas de sal, sol, sul. Latitude
exacta: um cantinho, um violão. Longitude: a onda que se ergueu no mar. Compôs
todas as canções que fazem a biografia de um tempo. Entre Ipanema e Copacabana».

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