Começa assim: «Os quatro astronautas da missão Artemis II contornaram a Lua, atingiram uma distância no espaço cósmico em relação à Terra nunca antes alcançada, mas a mensagem mais pregnante que enviaram aos conterrâneos foi a de que a Terra, vista do espaço sideral, era de uma beleza superlativa. Viram-se do exterior como seres terrestres, como se estivessem a ser observados por um alien, e essa perspectiva causou-lhes uma grande emoção. Os hinos que entoaram à condição terrestre sobrepuseram-se à condição planetária, sem centro, a que tinham acedido. A missão Artemis II pareceu assim vinculada a um pensamento geocentrista que ignora a revolução copernicana.
Não teria retirado esta conclusão da mais recente missão espacial se não tivesse lido La condition planétaire (2025), um livro do francês Frédéric Neyrat, que ensina “as humanidades planetárias” (assim é apresentado na contracapa) na Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos). As profundas e originais contribuições de Neyrat para uma ecologia não geocentrista, culminando neste livro, foram-se desenvolvendo em livros anteriores. Quem acompanhou este percurso, percebeu que Neyrat é um crítico da “hipótese Gaia”. (...)».
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a obra referida
« La Condition planétaire », de Frédéric Neyrat : l’extra-terrestre au secours de la Terre
Le philosophe livre un essai d’écologie spéculative qui décentre notre regard pour sortir d’un « géocentrisme » fatal. - Mais.


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