“O jardim está a mudar, o jardim vai mudar na próxima primavera”, diria o artista Alberto Carneiro (1937-2017), mas a cor amarela dos edifícios que foram a sua residência e local de criação vai continuar a sobressair por entre a vegetação verde do quintal e dos campos em volta no chamado Vale do Coronado. Foi aqui, na freguesia de São Mamede do Coronado, concelho da Trofa, que nasceu, viveu e trabalhou o escultor que viria a ter um lugar próprio, e único, no contexto da arte contemporânea portuguesa.
Nas traseiras da antiga casa da família, entretanto renovada, Alberto Carneiro edificou, nos anos 1980, o seu atelier-oficina, sob projecto da arquitecta Mercês Vieira, onde viria a pensar, imaginar e produzir a maior parte da sua obra, numa relação vivida em permanente comunhão com a natureza envolvente. (...)
Rodeado por um quintal recheado de uma variedade de árvores e arbustos, plantas e flores — marmeleiros e limoeiros, magnólias e camélias, buganvílias e roseiras… —, mas também de peças de granito, aço e cordas manipuladas pelas mãos de Carneiro, o atelier-oficina, um espaço de cerca de 400 metros quadrados com um pé-direito de sete metros, encontra-se ainda esvaziado, apenas pontuado com a exposição de uma peça do escultor, Metamorfose das Laranjeiras.(...)».











