«Enquanto a política continua a decidir no curto prazo, a ciência alerta para a urgência da ação climática. Em entrevista, a presidente da Plataforma para o Crescimento Sustentável, Ivone Rocha, apresenta as conclusões do relatório “Alternativa Sustentável” e defende uma nova ética política para enfrentar a crise climática - o "longotermismo" como forma de alinhar as decisões de hoje com o futuro das próximas gerações.
A presidente da Plataforma para o Crescimento Sustentável, Ivone Rocha, apresenta esta quinta-feira, 12 de março, o relatório “Alternativa Sustentável”, no âmbito do III Encontro Sustentável – “Alternativa Sustentável: Novos Valores, Novos Princípios”. O encontro reúne na Gulbenkian, em Lisboa, académicos, decisores políticos e especialistas para discutir novos caminhos para a sustentabilidade num contexto global marcado por crises ambientais, tecnológicas, económicas e geopolíticas.
O relatório parte de um diagnóstico claro:
Enquanto a política continua a decidir no curto prazo, a ciência alerta para a urgência da ação climática. Em entrevista, a presidente da Plataforma para o Crescimento Sustentável, Ivone Rocha, apresenta as conclusões do relatório “Alternativa Sustentável” e defende uma nova ética política para enfrentar a crise climática - o "longotermismo" como forma de alinhar as decisões de hoje com o futuro das próximas gerações.
A presidente da Plataforma para o Crescimento Sustentável, Ivone Rocha, apresenta esta quinta-feira, 12 de março, o relatório “Alternativa Sustentável”, no âmbito do III Encontro Sustentável – “Alternativa Sustentável: Novos Valores, Novos Princípios”. O encontro reúne na Gulbenkian, em Lisboa, académicos, decisores políticos e especialistas para discutir novos caminhos para a sustentabilidade num contexto global marcado por crises ambientais, tecnológicas, económicas e geopolíticas.
O relatório parte de um diagnóstico claro: existe um desfasamento crescente — e potencialmente perigoso — entre aquilo que a ciência exige para enfrentar a crise climática e aquilo que as políticas públicas conseguem efetivamente entregar. Apesar de algum progresso nos últimos anos, o documento sublinha que o mundo continua “off target” em relação às metas climáticas, num momento em que a ciência aponta para reduções globais de emissões de cerca de 35% para limitar o aquecimento a 2°C e de 55% para 1,5°C até 2035. Apesar de algum progresso nos últimos anos, o documento sublinha que o mundo continua “off target” em relação às metas climáticas, num momento em que a ciência aponta para reduções globais de emissões de cerca de 35% para limitar o aquecimento a 2°C e de 55% para 1,5°C até 2035.
O relatório também refere que existe um desfasamento perigoso entre o que a ciência exige e aquilo que a política entrega. O que significa exatamente este diagnóstico?
A ciência demonstra que estamos numa rota que coloca perigosamente em causa o futuro da humanidade. Ela dá-nos dados e evidências claras de que precisamos acelerar a mudança. No entanto, devido aos ciclos políticos curtos e à excessiva partidarização destas matérias, estamos a criar movimentos em direções diferentes. Por isso é urgente consensualizar uma abordagem diferente e preparar um modelo novo. Temos de deixar de olhar para os assuntos em silos e de tentar apenas corrigir o passado. Precisamos construir algo novo para o futuro. Gosto de usar como metáfora um palácio do século XIX que hoje está a cair. É um edifício belíssimo, cheio de história e cultura, mas que já não tem condições de habitabilidade. Precisamos respeitar essa história, mas reestruturar profundamente esse palácio para o adaptar às necessidades atuais. (...)».










